Voltar

Veja aqui história de quem lida com a morte diariamente no IML.

De pai para filhos

Há 23 anos trabalhando no Instituto Médico Legal (IML) e tendo contato direto com os cadáveres, o técnico de necropsia Carlos Procópio Reis, 41, o “Cacá”, herdou o interesse em remover e mexer em cadáveres do pai, na época da polícia, em que trabalhava no IML, quando a necropsia era feita no cemitério São João Batista.

Além de Cacá, o irmão dele, Cláudio Procópio Reis, também é técnico em necropsia e atualmente tem uma clínica de tanatopraxia (técnica que permite a conservação do cadáver) e conservação do rosto. Uma irmã e dois primos dele também atuam na área.

Cacá afirma que o contato com os parentes do morto é sempre com ética e respeito, porque o trabalho que presta à sociedade não é só de remoção e auxílio aos peritos. “Tem sempre uma família que está sofrendo a perda do ente querido. Procuramos dar toda a atenção, como se fosse familiar nosso”, enfatizou.

O início da carreira dele foi apreensivo. Quando o legista saía da sala e Cacá ficava sozinho com três ou quatro cadáveres, batia uma aflição e qualquer barulho o assustava. No começo, ele tentava agir normal em casa, mas mesmo assim tinha pesadelos, sonhava com a sala de necropsia e acordava pensando que estava no IML. Passados 23 anos e depois de muitas remoções e reconstituições de corpos, ele se sente mais seguro.

Um dos momentos de maior tensão foi quando ele teve que auxiliar o legista na necropsia de quatro colegas em situações distintas, de acidente de trânsito a brigas. “Meus colegas de infância diziam: ‘Olha, tu tá trabalhando no IML. Vê se quando eu chegar lá não vai me cortar senão vou puxar teu pé’. Um belo dia um amigo meu estava lá. Morreu após uma briga no Educandos”, lembrou.

Conforto para todos que precisam

Um grupo de aproximadamente 150 voluntários espíritas participam de uma campanha com o objetivo de levar conforto aos familiares que perderam seus entes queridos. Chamada de “A Vida Continua”, a campanha é realizada em todo o Brasil pelos espíritas, neste domingo. Em Manaus, os voluntários visitam quatro cemitérios: Nossa Senhora Aparecida (Tarumã), São João Batista (Adrianópolis), Santa Helena (São Raimundo) e São Francisco (Morro da Liberdade).

“Vamos levar mensagens de conforto e falar sobre a vida após a morte. O que move a gente não é convencer as pessoas ao espiritismo, mas é mostrar a ideia de que a alma é imortal. Queremos levar, também, o entendimento sobre a morte a partir da dor do ente querido, uma forma de ajudar”, explicou o coordenador da campanha, Marcelo Fernandes.

Em números

20.000 Cadáveres é o valor aproximado que o técnico de necropsia do IML, Carlos Procópio, o “Cacá”, teve contato nos últimos 23 anos de profissão. Até a última quarta-feira, 2.511 cadáveres deram entrada no IML neste ano, 90% deles passaram por Cacá.

Fonte: http://acritica.uol.com.br/

Comentários